10/01/2022 às 14h51min - Atualizada em 11/01/2022 às 11h31min

Casa Vogue apresenta à arte da pintura de Paulo Pasta

Paulo Pasta usa a cor para desestabilizar as estruturas fixas de sua pintura, atenuando os limites do desenho e borrando as fronteiras internas. O objetivo é construir uma convivência pacífica, longe de polaroides, ruídos e excessos da vida mundana

SALA DA NOTÍCIA Da Redação
Casa Vogue_edição dupla dezembro e janeiro_Fotos_Deco Cury
A cor – não a pura, mas a contaminada – é a voz de Pasta. “Porque a vida é assim, cheia de misturas. Você tem de aceitar a impureza das coisas para forçar o andamento da cultura”, resume. Em sua última mostra, Correspondências (na Galeria Millan de 18/11 a 18/12/21), além de uma nova leva de telas, outro elemento aparece pela primeira vez: mensagens de texto trocadas durante a pandemia com o crítico de arte Ronaldo Brito, do Rio de Janeiro. “Para passar aquele medo e a sensação de futuro interrompido, o Ronaldo propôs que eu enviasse fotos do que estava produzindo e, em retorno, ele escreveria a respeito. Assim fizemos de abril a setembro de 2020”, detalha.

O medo, curiosamente, não vazou para as obras. Ao contrário, neutralizou-se pela intensificação da rotina. Pasta, que vai ao ateliê todas as tardes, inclusive aos sábados e domingos, se concentrou ainda mais nos estudos preparatórios das tintas e combinações. Pintou em tela, papel, em tamanho grande, médio, pequeno, e até mesmo em inéditos formatos diminutos, movido por uma urgência de conservar a sanidade e ver o pigmento reagindo mais depressa.

“As cores estão na vanguarda de quem sou. Uso por instinto. É como andar no escuro, vou elucidando o caminho aos poucos. Se coloco algo ali, uma coluna, uma cruz, uma tonalidade, aquilo volta para mim em uma construção recíproca”, explica Pasta sobre o próprio processo criativo. “Quando você, espectadora, olha e começa a ter a sensação de ver e não ver, aí a pintura está pronta. Porque ela não se entrega. Ela vem vindo, e volta. É manhosa, como falou certa vez o crítico e historiador da arte Rodrigo Naves”, diverte-se.

Rei do autocontrole, revelado pela estabilidade do seu desenho, Pasta adota essa mudança de fase da coloração para balançar estruturas fixas e criar uma indefinição, chamada por ele de funambulismo. “Funâmbulo é o homem que caminha na corda bamba, que pode cair para cá ou para lá, e se equilibra entre os dois lados. Por isso gosto tanto do cinza: ele está entre, foge das polaridades.” Quem dera essa fluidez marcasse mais presença. “O Brasil não está para funâmbulo”, lamenta. “O país perdeu toda e qualquer sutileza, virou um território violento, de extremos, sem espaço para a poesia. Os tiranos odeiam a poesia porque é o lugar do indefinido, do sentido humano. Apesar disso, a gente tem de continuar. Morandi [Giorgio Morandi (1890-1964)] seguiu pintando o que sempre pintou durante a Segunda Guerra, com todo aquele horror acontecendo. Da mesma forma, precisamos permanecer.” As pinceladas de Pasta deixam escapar o aspecto fugidio do tempo, da beleza, da certeza. Mas também lembram: somos mortais. E tudo passa.

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Revista Casa Vogue | Edição dupla dezembro e janeiro





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