18/05/2022 às 17h11min - Atualizada em 18/05/2022 às 17h42min

OS PRÓS E CONTRAS DA ELETRIFICAÇÃO DA MOBILIDADE URBANA

Só em Goiás, a venda de carros elétricos cresceu 190% em 2022. O Mova-se Fórum de Mobilidade destaca que, além da preocupação com o meio ambiente, os custos de manutenção estão entre os principais atrativos para a compra

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OS PRÓS E CONTRAS DA ELETRIFICAÇÃO DA MOBILIDADE URBANA

Só em Goiás, a venda de carros elétricos cresceu 190% em 2022. O Mova-se Fórum de Mobilidade destaca que, além da preocupação com o meio ambiente, os custos de manutenção estão entre os principais atrativos para a compra

No Brasil, as vendas de carros elétricos e híbridos leves cresceram 78% no primeiro quadrimestre de 2022, em comparação com o mesmo período do ano passado, reforçando a expectativa da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) de mais um ano positivo para a eletromobilidade no Brasil.
Com os 3.123 emplacamentos de abril, o mercado já contabiliza 12.976 unidades comercializadas no ano, em comparação a 34.990 de 2021. Mais uma vez, o crescimento dos “eletrificados” segue no sentido contrário do mercado doméstico de veículos leves à combustão, que teve uma redução nas vendas de 23% no mesmo período, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE).
Em Goiás, as vendas de eletrificados quase triplicou no primeiro trimestre de 2022, em comparação ao mesmo período do ano passado. Foram emplacados 407 veículos nos três primeiros três meses deste ano, em comparação a 140 no mesmo período de 2021, um aumento de 190%, de acordo com a FENABRAVE. Tabela 1 mostra o crescimento de eletrificados no Brasil nos últimos 10 anos.
Figura 1: Venda de Eletrificados no Brasil (2012 a 2022).

FONTES: ABVE/Renavam/Anfavea/Abeifa - Eletrificados leves = Autos + Comerciais Leves + SUVs + Utilitários (não inclui ônibus, caminhões e levíssimos). HEV (veículo elétrico híbrido) + PHEV (elétrico híbrido plug-in) + BEV (elétrico totalmente a bateria).
Desde as últimas altas do preço do combustível (2021-2022), o setor de transporte vem recebendo uma variedade de medidas para incentivar a compra de eletrificados, como por exemplo o projeto de lei do senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO), que isenta o imposto sobre importação dos veículos elétricos e híbridos até 31 de dezembro de 2025. Irajá argumenta que o benefício tributário poderá reduzir o preço final para o consumidor, que ainda é elevado para os padrões brasileiros. Se aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos, o projeto poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados.
Como a matriz energética do setor de transporte no Brasil contempla 69% em derivado de petróleo, se torna um grande desafio manter o equilíbrio entre a demanda e a oferta de petróleo.
Figura 1 indica a projeção da distribuição da matriz enegrecida do setor de transporte no Brasil.
Figura 1: Consumo do setor de transporte por fonte de energia (mil tep).

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética.
Vale ressaltar que a partir do momento em que um eletrificado chega à estrada, não haverá mais emissões de poluentes pelo escapamento, mas ainda contribuirá com um grau de poluição mínimo por partículas de pneus e freios. Porém, o impacto ambiental real ocorre na produção, antes deixem as fábricas.
Um relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente (AEA), destaca que as emissões na produção dos eletrificados são geralmente mais altas do que veículos com motor de combustão interna. Em outro estudo da AEA sugere que as emissões de CO2 na produção de eletrificados são 59% maiores do que o nível de produção dos veículos tradicionais. As maiores emissões são atribuídas em grande parte ao processo de fabricação das baterias, algo que a AEA sugere que poderia ser alterado para incorporar o aumento do uso de energias renováveis.
No entanto, uma vez que o eletrificado começa sua vida nas estradas, a maior parte de suas emissões já foi produzida. Já com motores de combustão, ainda haverá um longo período de produção de emissões.
Diferente do que ocorre no restante do mundo, o Brasil possui sua própria Matriz Elétrica com uma variedade de fontes de energia disponíveis, favorável para implantação da eletromobilidade, uma vez que 83% da Matriz é feita por meio de fontes renováveis. Figura 2 mostra a composição da Matriz Elétrica Brasileira em 2020.
Figure 2: Matriz Elétrica Brasileira em 2020.

Fonte: Balanço Energético Nacional, 2021.
Outro ponto positivo dos eletrificados é o custo da recarga.  Para recarregar as baterias o preço praticado em fevereiro de 2022 foi de R$ 1,30/kWh, com impostos inclusos. Assim sendo, o Nissan Leaf com um consumo de 6,75 kWh/km pode atingir uma carga máxima de39,98 kWh e percorrer até 270 km dentro da cidade, o que representa aproximadamente R$ 52.00. Com o preço médio nacional da gasolina a R$ 7,19 em abril de 2022, seriam necessários aproximadamente R$ 150.00 (três vezes mais) para percorrer a mesma distância com Nissan Versa.
O aumento dos pontos de recarga tem dado aos consumidores mais segurança e vontade de adquirir um eletrificado. O estado de Goiás tem quase 20 pontos para esse tipo de abastecimento, de acordo com a plataforma PlugShare que faz esse mapeamento no país.
Para o coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade, Miguel Angelo Pricinote, os pontos positivos para aquisição dos eletrificados são muitos, mas o grande empecilho ainda é o preço. O modelo mais básico no mercado brasileiro é R$ 142.990 (Renault Kwid-e) o mesmo valor da SUV Renault Captur 1.3 turbo Iconic.  “A tendência dos veículos elétricos, tanto carros como motos e bicicleta é crescente não só em Goiás, mas em todo o Brasil e em grande parte do mundo, além da preocupação do consumidor com o meio ambiente, os custos de manutenção dos veículos elétricos.” Pricinote.
Quanto ao futuro, executivos da indústria global de automóveis acreditam que 41% dos novos veículos vendidos no Brasil em 2030 serão eletrificados, de acordo com relatório divulgado pela consultora KPMG Brasil em janeiro de 2022.
 


 
 
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